PATRIMÔNIO
Pesquisadores da UFC desenvolvem protocolo com modelagem 3D para manutenção de prédios históricos
Pesquisa foi realizada em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, no âmbito do programa Cientista-Chefe da Cultura
Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um protocolo para auxiliar a gestão da manutenção de prédios históricos. O trabalho utiliza a metodologia HBIM (Historic Building Information Modeling), baseada em modelagem digital em 3D, para reunir em um único ambiente virtual informações técnicas, históricas e de conservação das edificações.

Modelo HBIM do Theatro José de Alencar: fachada real (esquerda) e fachada modelada (modelo HBIM) (Imagem: Reprodução)
O HBIM utiliza modelos digitais tridimensionais produzidos a partir do escaneamento de alta precisão das edificações, permitindo documentar detalhes da construção e organizar informações para sua conservação.
“A pesquisa surgiu da necessidade crescente de planejar e executar atividades de manutenção preventiva e inspeções periódicas em edifícios históricos geridos pelo poder público”, ressalta a arquiteta e pesquisadora Geórgia Ferreira Freire.
O estudo é resultado de seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design da UFC, sob orientação dos professores Esequiel Mesquita, do Instituto de Arquitetura, Urbanismo e Design (IAUD), e Mylene Vieira, do curso de Engenharia Civil do Campus de Russas. A pesquisa foi realizada em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE), no âmbito do programa Cientista-Chefe da Cultura.
Os resultados foram publicados no artigo científico “HBIM protocol for supporting the management and maintenance of historic buildings”, no Journal of Building Engineering, um dos periódicos internacionais de referência na área de engenharia e construção.
DESAFIOS – Segundo o professor Esequiel Mesquita, a manutenção de edificações históricas ainda enfrenta desafios relacionados à documentação incompleta, à ausência de planejamento preventivo e às dificuldades no acompanhamento dos serviços executados.
O protocolo desenvolvido busca enfrentar esses desafios ao estabelecer fluxos padronizados de manutenção preventiva e corretiva, integrados a modelos digitais de HBIM.
“O objetivo é transformar o modelo digital do edifício em uma plataforma ativa de gestão, permitindo que gestores acompanhem todo o histórico de inspeções, intervenções e necessidades futuras de manutenção”, explica o professor Esequiel.
Ele destaca que o protocolo estabelece um cronograma para as atividades de manutenção e incorpora normas técnicas que orientam a conservação das edificações históricas, atendendo a critérios de segurança e desempenho.

Além da modelagem 3D, o protocolo abrange instrumentos para o planejamento e o acompanhamento da manutenção, como manuais técnicos, cronogramas de inspeção, formulários de aceitação de serviços, indicadores de desempenho e a definição das responsabilidades das equipes envolvidas (Imagem: Divulgação)
APLICAÇÃO – Outro diferencial da proposta é a preocupação com a aplicabilidade. O sistema foi desenhado para ser incorporado à rotina de gestão do patrimônio sem a necessidade de plataformas complexas e de alto custo.
O protocolo foi validado por especialistas nas áreas de patrimônio cultural, HBIM e gestão da manutenção, que destacaram a clareza dos processos, a consistência metodológica e o potencial de aplicação em diferentes instituições responsáveis pela conservação de bens históricos.
A próxima etapa da pesquisa será o acompanhamento dos resultados da aplicação prática no Theatro José de Alencar, considerado o equipamento histórico mais importante do Ceará, que já conta com um modelo HBIM desenvolvido anteriormente pela UFC. A implementação do protocolo permitirá avaliar os ganhos de eficiência na gestão da manutenção e na conservação do edifício.
“A expectativa é que haja redução dos custos de manutenção e da necessidade de intervenções corretivas, que são aquelas realizadas de forma emergencial, sem estarem programadas”, conclui o professor Esequiel Mesquita.
Fontes: Esequiel Mesquita, professor do Laboratório de Experiência Digital, Instituto de Arquitetura e Urbanismo da UFC – e-mail: emesquita@ufc.br; Geórgia Ferreira Freire, arquiteta - e-mail: georgiaaraujoferreira@gmail.com.
