MARIAS
Projeto da UFC cria espaço de acolhimento e debate sobre assédio e violência contra mulheres
Objetivo é proporcionar um espaço seguro para discutir aspectos envolvendo as diferentes manifestações de violência e assédio sexual e moral contra mulheres, além de oferecer apoio e orientação a vítimas
Entre os fatores que contribuem para a desigualdade e a evasão de mulheres da universidade, o assédio sexual e a violência estão entre as causas mais lesivas, muitas vezes agindo de maneira silenciosa, mas decisiva. Nesse contexto, e buscando promover o diálogo e o acolhimento relacionados a essas questões, o Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará (UFC) mantém o projeto Marias – Monitoria em Acolhimento e Combate ao Assédio.
Aberto à comunidade acadêmica da UFC, mas com prioridade para servidoras, estudantes e colaboradoras dos cursos de Letras, a iniciativa foi registrada neste ano como projeto no Programa de Acolhimento e Incentivo à Permanência (Paip) da UFC, e está em funcionamento desde março. O objetivo é proporcionar um espaço seguro para discutir aspectos envolvendo as diferentes manifestações de violência e assédio sexual e moral contra mulheres, além de oferecer apoio e orientação a vítimas dessas violências.

O projeto oferece diferentes meios para orientação e troca de experiências, incluindo formulário anônimo, rodas de conversa presenciais, e-mail e grupo de WhatsApp (Imagem: Divulgação)
Para isso, o Marias organiza-se em três eixos. O primeiro oferece acolhimento por meio de canais de escuta, diálogo e orientação. O projeto disponibiliza um formulário para compartilhamento de experiências, que pode ser preenchido anonimamente. Também há as rodas de conversa presenciais, realizadas todas as quintas-feiras, das 12h50 às 13h50, na sala 3 do bloco didático do curso de Letras Diurno, na área 1 do Centro de Humanidades da UFC (avenida da Universidade, 2683, Benfica).
“Também estamos disponíveis pelo grupo de WhatsApp, pelo direct da página do projeto no Instagram (@projetomariasufc) e por e-mail para marcar encontros individuais, garantindo o sigilo e a proteção da identidade de quem nos procurar”, ressalta a professora Camila Cardoso Sousa, que integra a equipe do projeto, coordenado pela docente Valdilena Rammé.
O segundo eixo trabalha a formação, por meio de debates, oficinas e minicursos, em parceria com diferentes setores da universidade e também da sociedade civil. Em 14 de maio, por exemplo, houve uma roda de conversa com servidores integrantes da Comissão de Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD) da UFC. O próximo encontro está previsto para 18 de junho, com participação de gestores da Ouvidoria da universidade.
O terceiro eixo opera a partir das linguagens culturais, abordando temas de interesse por meio de atividades como clubes de leitura e cine-debates. “Realizamos o primeiro cine-debate no dia 20 de maio, dentro da programação da II Semana Cearense de Letras. Discutimos o filme Depois da caçada [dirigido por Luca Guadagnino, 2025], que trata de temas ligados ao assédio no ambiente universitário. No próximo semestre, pretendemos realizar o clube de leitura. No último encontro, presencial do projeto, discutimos o livro Americanah, da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie”, detalha Camila.
Além das professoras, a equipe conta com duas monitoras, sendo uma bolsista remunerada e uma voluntária. Elas atuam na mediação dos encontros, na preparação dos encontros, na escolha dos temas e na divulgação do projeto. Visando ampliar o alcance do projeto, em maio as rodas de conversa foram cadastradas como ação extensionista, seguido da solicitação de vagas para alunas dos cursos de Letras atuarem como agentes de extensão.
CONSCIENTIZAÇÃO – O Marias – Monitoria em Acolhimento e Combate ao Assédio surge em um contexto de recentes políticas federais e institucionais voltadas à problemática, a exemplo da Resolução nº 49/Consuni, aprovada em dezembro de 2025, que institui a Política de Prevenção e Enfrentamento aos Assédios e às Discriminações no âmbito da UFC.
Segundo Camila, o objetivo do projeto passa justamente por levar informações sobre canais institucionais da UFC para denúncias, orientação e acolhimento, garantindo maior publicização dos serviços, normas e orientações sobre o tema.
“Queremos contribuir para a concretização dessas políticas. Muitas vezes, a comunidade acadêmica encontra certa dificuldade em conhecer e entender a legislação e os normativos que tratam das questões de assédio, bem como os caminhos para acessar os canais de denúncia e orientação. No Marias, buscamos tornar mais acessíveis os documentos, desmistificando linguagens jurídicas e orientando condutas”, reforça Camila.
Fonte: Projeto Marias – Monitoria em Acolhimento e Combate ao Assédio – e-mail: projetomariasufc@gmail.com
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