AGÊNCIA UFC
Baratas e sustentáveis, fossas verdes são apontadas por estudo da UFC como solução para saneamento rural
Sistema domiciliar de saneamento trata esgoto, evita contaminação do solo e ainda garante adubo para a terra
Soluções adequadas para o saneamento básico são um gargalo no Nordeste brasileiro, especialmente na zona rural do semiárido. Dados de 2019 da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) apontam que apenas 13% dos domicílios rurais da região possuíam rede coletora ou fossa séptica.
Entretanto, um estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC) indica que uma alternativa simples, já aplicada em algumas localidades, pode funcionar como recurso ideal de saneamento individual para assentamentos rurais e periurbanos: as fossas verdes. A pesquisa é tema de reportagem desta semana Agência UFC.
A fossa verde é um pequeno sistema de tratamento de esgoto feito no próprio terreno da família. Trata-se de uma caixa impermeável na qual há uma câmara construída com tijolos perfurados, através dos quais o esgoto é direcionado para fluir para o exterior da estrutura.

Pesquisadores consideram que a tecnologia social tem o potencial de virar política pública, assim como ocorreu com as cisternas de placa (Foto: Divulgação)
A caixa é preenchida com camadas de materiais porosos que servem como filtro (entulho, cascas de coco e material terroso). Nesse espaço, plantas são cultivadas para tratar os resíduos e aproveitar parte da água e dos nutrientes.
A técnica funciona com base no reúso de água, uma vez que a parte líquida do esgoto é evaporada, de forma limpa, ou absorvida pelas plantas.
Um grupo de pesquisadores dos departamentos de Engenharia Agrícola e de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC analisou 72 fossas sépticas ecológicas de um assentamento de reforma agrária no município de Madalena, no Ceará, para analisar o destino do lodo que se acumula nas fossas verdes e verificar o potencial higiênico da exposição solar em leitos de secagem.
Os resultados encontrados no assentamento de Madalena revelaram que essa técnica simples de higiene é eficiente na redução de patógenos do esgoto a níveis seguros para uso agrícola.
As fossas de Madalena haviam sido usadas continuamente durante um período de 14 anos. Os leitos de secagem foram descobertos e expostos à radiação solar e, em um período de 15 a 45 dias, todas as amostras de lodo fecal atingiram o critério microbiológico muito baixo de Escherichia coli (E. coli), uma bactéria comum que vive no intestino de pessoas e animais.
Com isso, seguindo a legislação brasileira, o lodo das fossas verdes, após o referido período de secagem pelo Sol, pôde ser classificado como biossólido Classe A. Isso quer dizer que o material sólido pode ser usado de forma segura como adubo.
Assim, além de garantir o saneamento da localidade, a técnica de secagem ao Sol permite a eliminação eficiente de bactérias perigosas, transformando o esgoto em algo útil para as atividades agrícolas.
A matéria completa da Agência UFC traz informações sobre as vantagens dessa tecnologia social para a zona rural do semiárido e o seu potencial para se tornar política pública.
Fonte: José Carlos de Araújo, professor aposentado do Departamento de Engenharia Agrícola da UFC – e-mail: jcaraujo@ufc.br
- Marcadores:
- Centro de Tecnologia
- Pesquisa
- Agência UFC
- Meio Ambiente
- Notícias
