AGÊNCIA UFC

Composto retirado da castanha de caju pode ser nova alternativa para materiais odontológicos

Tecnologia desenvolvida na UFC permite substituir derivados de bisfenol A, que seguem sendo usados na fabricação desses itens apesar de potencial efeito tóxico

Quinta, 23 julho 2026 16:21
Atualização: Quinta, 23 julho 2026 16:25
Escrito por Secom UFC

Uma substância encontrada no óleo retirado da castanha de caju pode se tornar uma conveniente alternativa para a fabricação de materiais utilizados na odontologia, como resinas, adesivos e dessensibilizantes dentinários. Além de proporcionar maior eficácia e durabilidade aos tratamentos, ela pode substituir derivados do bisfenol A (BPA), compostos ainda amplamente utilizados na fabricação desses materiais e que despertam preocupação por seus potenciais efeitos tóxicos.

Profissional de odontologia, usando máscara, luvas e touca, realiza exame bucal em uma paciente reclinada em uma cadeira odontológica. Ao fundo, há outros consultórios e pessoas em atendimento em uma clínica odontológica

Substância da casca da castanha de caju pode ser usada para produzir como materiais resinas, adesivos e dessensibilizantes dentinários (Foto: Ribamar Neto/UFC)

A inovação surgiu após pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) identificarem que um composto denominado cardanol possui propriedades que o fazem funcionar como reagente ideal para a produção de materiais odontológicos. O cardanol é a substância preponderante no LCC técnico, nome pelo qual é chamado o líquido extraído da casca da castanha de caju após ser submetido a altas temperaturas na indústria.

Com isso, os cientistas desenvolveram uma nova rota tecnológica que permitiu transformar moléculas do líquido da casca da castanha de caju em compostos para aplicação odontológica, obtendo assim uma carta-patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

“O que torna isso interessante do ponto de vista industrial é que não se trata de um produto único, mas de uma plataforma molecular adaptável”, explica o professor Diego Lomonaco, do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica. Ele, que é um dos responsáveis por essa tecnologia, destaca que a patente cobre um amplo espectro de possibilidades de produtos para o tratamento dentário.

Além de não causarem a pigmentação dos dentes, os materiais odontológicos desenvolvidos com cardanol trazem, como principais vantagens, a capacidade de melhorar a durabilidade e a eficácia dos tratamentos dentários.

O professor Diego Lomonaco destaca ainda o fato de o LCC substituir o uso do Bis-GMA, um derivado do bisfenol A que é atualmente a molécula mais usada nesses materiais, por exibir, entre outras razões, excelentes propriedades mecânicas. O bisfenol A, contudo, é uma molécula tóxica, que age como desregulador do sistema hormonal. Mesmo em baixas doses, ele aumenta o risco de câncer de mama, obesidade, diabetes, doença cardiovascular, desordens reprodutivas e neuroendócrinas, entre outras doenças.

“A utilização do cardanol presente no líquido da castanha de caju técnico em composições odontológicas elimina essa preocupação toxicológica real que existe com o Bis-GMA”, defende o professor.

O assunto é tema de reportagem da Agência UFC. A matéria completa traz mais informações sobre como funciona o invento e suas possibilidades de aplicação, além das perspectivas de comercialização.

Fonte: Diego Lomonaco, professor do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC – e-mails: lomonaco@ufc.br e lpt@ufc.br